quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Um filme
Recentemente fiz um curso de interpretação para cinema, onde utilizávamos nossas memórias, e as sensações que elas deixaram, como material criativo. Nesse curso aprendi que, de verdade, a vida de qualquer um dá um filme.
Sendo assim, penso que se fosse fazer um filme da minha infância, boa parte dele se passaria na casa dos meus avós, na companhia de meus primos. Teria cenas das nossas brincadeiras, de ensaios de dança e peças de teatro (nós escrevemos uma, certa vez). Quem poderia esquecer da nossa incrível coreografia de fim de ano, com a música do Flashdance? A Camila nunca vai nos perdoar por ter ficado de fora. Em nome de todas, peço perdão, denovo.
Faria uma sequência só com a gente brincando de Gato-Mia, mostrando todas as possibilidades de esconderijos. Crianças que desafiavam o perigo cruzando a sala no escuro, com o “gato-mia” a solta. E o cheiro da sala, depois de ficarmos encerrados lá brincando por horas... Indescritível! Intraduzível por imagens apenas. Era um cheiro assim... assim... de peido!
Não poderia deixar de mostrar nossos dotes esportivos, éramos verdadeiros atletas! Jogávamos vôlei, basquete, taco, canastra e até bosta de vaca seca. Ou não tão seca assim...
O meu filme teria crianças embarradas, muitas crianças embarradas, todas da mesma cor. Cor da terra onde elas plantariam seus desejos. E depois uma chuva de verão bem generosa, pra lavar o corpo e a alma. Não vale vestir biquíni! Tem que ser com a roupa do corpo mesmo. Biquíni espanta a chuva! É uma dessas coisas que os cientistas ainda não conseguem explicar.
Agora, o ponto alto mesmo, o clímax do filme da minha infância, seriam as brigas e tombos. Muitos puxões de cabelo, boladas na cara, testa na porta, joelho ralado, caída da árvore, caída do cavalo, hematomas e cicatrizes por todo o corpo. Tapas, chutes, choros e gritos, muitos gritos. “Gritem mais baixo que a vó ta dormindo”, alguém sempre dizia. Nós chegávamos a ficar de mal por dois, três, até quatro minutos! Depois era: vamos tomar banho no açude!!! E lá íamos nós, com os biquínis mais velhos, mais feios, mais sem elástico que tínhamos. Ainda bem que biquíni não espanta açude!
A última cena seria um bando de meninas, deitadas nos seus colchões no chão da sala, uma do lado da outra, cada uma com suas cobertas e travesseiros coloridos, conversando muito e dando muita risada, enquanto a madrugada corria lá fora.
A crise dos vinte cinco
Bom, pra começar o blog, definirei do meu ponto de vista o que é a crise dos vinte e cinco anos. Primeiro de tudo, ela não acontece somente com quem tem vinte cinco e nem só durante os vinte cinco. Acontece quando você termina os estudos, perde o convívio com os amigos da faculdade, enfrenta dificuldades em trabalhar na sua área profissional, sai da casa dos pais pela primeira vez (ou é obrigado a morar com eles denovo). A crise acontece quando você precisa tomar as rédias da própria vida, quando chega a hora de se tornar adulto. E como é difícil!
De repente é como se voltasse a ser adolescente. Fica inseguro, não sabe o que quer da vida, acha que fez escolhas erradas e talvez seja tarde para escolher outra coisa.
É uma fase difícil, mas ainda sim é só uma fase. Ontem me disseram que a média de tempo que uma pessoa leva pra ter uma vida estável depois da formatura é de dez anos. Dez anos. Eu queria voltar a ter dez anos, isso sim.
E agora o conselho mais óbvio e irritante do mundo: vai passar. Mas é verdade, vai passar! Tenha paciência.
Bom, conto com sua leitura e compreensão, pelo menos nos próximos dez anos.
Tem gente que fica depressivo. Eu escrevo um blog pra discutir o assunto.
Eita crise...
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